Endometriose aumenta em 20% risco de AVC e infarto, indica pesquisa
Um estudo observacional de longo prazo, publicado recentemente, aponta que mulheres com endometriose têm um risco 20% maior de desenvolver acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio. A pesquisa acompanhou milhares de mulheres por mais de duas décadas e controlou fatores de risco tradicionais, como tabagismo, hipertensão e diabetes, sugerindo que a endometriose em si é um fator de risco independente para eventos cardiovasculares.
A endometriose é uma condição inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. O tecido endometrial fora do útero provoca inflamação pélvica e sistêmica, podendo levar a um estado inflamatório crônico de baixo grau. Esse processo inflamatório é conhecido por contribuir para a aterosclerose e outros problemas cardiovasculares. Os mecanismos exatos ainda estão sendo estudados, mas acredita-se que a inflamação sistêmica e as alterações hormonais desempenhem um papel importante.
A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, utilizou dados de coortes prospectivas e analisou mais de 100 mil mulheres durante 20 a 30 anos. Os resultados, publicados em periódico de alto impacto, mostraram que o risco acrescido de AVC e infarto se manteve mesmo após ajustes para fatores como índice de massa corporal, uso de contraceptivos e histórico de doenças cardiovasculares. Isso indica que a endometriose pode ser um marcador precoce de risco cardiovascular.
Os autores do estudo enfatizam que os resultados não significam que todas as mulheres com endometriose terão eventos cardiovasculares, mas que a condição deve ser considerada na avaliação de risco individual. Estratégias de prevenção precoce, como controle da inflamação e monitoramento cardíaco, podem fazer diferença.
Diante das evidências, especialistas recomendam que as pacientes com endometriose realizem avaliações regulares da saúde cardiovascular, incluindo medição da pressão arterial, perfil lipídico e glicemia. A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e controle do estresse, também é fundamental para atenuar os riscos.
A relação entre endometriose e doenças cardiovasculares reforça a importância de uma abordagem integrada, que considere não apenas os sintomas ginecológicos, mas também a saúde geral da mulher. Para mais informações sobre saúde e bem-estar, visite a seção Saúde do O Tabloide Brasil.