Custos de produção de frango aumentam quase 20% entre janeiro e maio

Por Redação O Tabloide Leitura: 4 min

Os custos de produção de frango no Brasil registraram um aumento expressivo nos primeiros cinco meses de 2024. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os insumos utilizados na avicultura subiram quase 20% entre janeiro e maio, pressionando toda a cadeia produtiva e acendendo um alerta para os preços ao consumidor.

O cenário atual

O milho e o farelo de soja, principais componentes da ração animal, acumularam altas superiores a 20% no período. A entressafra brasileira, combinada com a forte demanda internacional e o câmbio desfavorável, elevou os preços dessas commodities. Estima-se que os gastos com alimentação representem cerca de 70% do custo variável de produção de frango, o que torna o setor especialmente sensível às oscilações desses insumos.

Além dos grãos, outros fatores contribuíram para a escalada dos custos. O óleo diesel, utilizado no transporte das aves e dos insumos, registrou alta de aproximadamente 15% nos cinco meses. A energia elétrica também sofreu reajustes, com a aplicação de bandeiras tarifárias mais caras em alguns estados.

Impacto na cadeia produtiva

Com as margens comprimidas, muitos produtores reduziram a escala de produção para evitar prejuízos maiores. Essa retração já começa a se refletir na oferta do produto no mercado interno. Dados do setor indicam que o volume de abate nos primeiros meses de 2024 foi ligeiramente inferior ao mesmo período do ano anterior, o que contribui para a alta dos preços ao consumidor final.

O aumento dos custos de produção atinge de forma mais severa os pequenos e médios avicultores, que possuem menor poder de negociação na compra de insumos e mais dificuldade de repassar integralmente os aumentos ao mercado. Associações do setor têm solicitado ao governo linhas de crédito emergenciais e a desoneração tributária de itens essenciais, como rações e medicamentos veterinários.

Perspectivas para os próximos meses

A expectativa de parte dos analistas é que os custos permaneçam elevados ao longo do segundo semestre. A colheita da segunda safra de milho, que começa em julho, pode aliviar os preços do grão no mercado interno. No entanto, a demanda internacional e a volatilidade cambial seguem como fatores de incerteza.

Enquanto isso, o consumo de carne de frango no Brasil deve se manter aquecido, uma vez que a proteína continua sendo uma das mais acessíveis à população. Caso os preços ao consumidor continuem subindo, pode ocorrer uma migração para cortes mais baratos ou para proteínas alternativas, como ovos.

Em resumo, o setor avícola brasileiro enfrenta um cenário desafiador. A recuperação das margens dependerá da evolução dos preços dos grãos, da política cambial e de eventuais medidas de alívio tributário para a cadeia produtiva.

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