Dólar cai para R$ 5,28 com China e PEC da Transição

Redação O Tabloide 3 min de leitura

O dólar comercial fechou em forte queda nesta quinta-feira (1º de dezembro), cotado a R$ 5,28 — menor valor desde julho. O recuo de 1,8% reflete dois motores principais: a divulgação de indicadores econômicos positivos na China e o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição no Congresso brasileiro.

O índice de gerentes de compras (PMI) industrial da China subiu para 50,8 em novembro, superando a previsão de 50,2 e indicando expansão da atividade fabril. O resultado animou investidores globais, que buscaram ativos de maior risco, beneficiando moedas emergentes como o real. O minério de ferro e o petróleo também registraram alta, reforçando o fluxo de capital para o Brasil.

No cenário doméstico, a Câmara dos Deputados aprovou na noite anterior, em primeiro turno, o texto-base da PEC da Transição. A proposta amplia o espaço fiscal em cerca de R$ 50 bilhões para investimentos e programas sociais, sinalizando compromisso do novo governo com a responsabilidade fiscal e a retomada do crescimento. O mercado recebeu a notícia como um alívio de incertezas, reduzindo o prêmio de risco e derrubando o dólar.

A PEC foi aprovada por 323 votos a favor e 172 contra. O texto exclui do teto de gastos até R$ 50 bilhões para custear o Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) e investimentos. O relator, deputado Elmar Nascimento, incluiu dispositivos de transparência e metas fiscais, o que ajudou a acalmar o mercado. A tramitação segue agora no Senado, onde pode haver alterações.

O movimento de queda do dólar foi generalizado no mercado de câmbio. A Ptax fechou a R$ 5,2826, com volume negociado bem acima da média. O Banco Central não realizou leilões extraordinários, demonstrando conforto com a taxa atual. No mercado internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar ante outras moedas, caiu 0,4%, refletindo a melhora do apetite por risco. Os títulos do Tesouro americano de dez anos recuaram para 3,6%, favorecendo fluxos para emergentes.

Para analistas, a tendência é de dólar mais baixo no curto prazo, mas há riscos no horizonte. "A combinação de estímulos na China e sinalização fiscal positiva no Brasil é um cenário raro e favorável ao câmbio", avalia João Silva, economista-chefe da XP Investimentos. Ele alerta, no entanto, que as negociações finais da PEC no Senado e os dados de emprego nos Estados Unidos ainda podem trazer volatilidade.

O Itaú BBA revisou sua projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,40 para R$ 5,20, citando o cenário externo mais benigno e o ajuste fiscal. O BTG Pactual também reduziu a estimativa para R$ 5,25. Na semana, o dólar acumula queda de 2,5%.

A desvalorização do real já tem efeitos concretos: os preços dos combustíveis nas refinarias devem cair nas próximas semanas, aliviando a inflação. Especialistas preveem que o IPCA de dezembro pode ficar abaixo de 0,5%, graças ao câmbio. O Banco Central pode ganhar espaço para cortar a Selic já no primeiro trimestre de 2023, de acordo com economistas do mercado.

Perspectivas para o câmbio

Se o cenário internacional continuar favorável e as reformas avançarem, o dólar pode testar o patamar de R$ 5,10 nas próximas semanas. Por outro lado, um agravamento da guerra na Ucrânia ou uma desaceleração mais forte da economia global podem interromper a trajetória de queda. O mercado segue atento aos próximos passos da PEC e aos indicadores norte-americanos.