O dólar comercial fechou a sessão desta quarta-feira (10) em forte alta de 1,2%, negociado a R$ 5,20, o maior valor de fechamento dos últimos 11 pregões. O movimento reflete a aversão global ao risco e as incertezas no cenário fiscal doméstico.

Lá fora, a moeda americana ganhou força após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio acima do esperado. O dado reforça a possibilidade de o Federal Reserve manter os juros elevados por mais tempo, reduzindo o apetite por ativos de emergentes.

Aqui no Brasil, a atenção dos investidores se volta para a tramitação do pacote fiscal no Congresso Nacional. A demora na aprovação de medidas de ajuste nas contas públicas e a falta de definição sobre a meta fiscal aumentam a desconfiança do mercado e pressionam o câmbio.

Para o analista de câmbio da corretora Terra Investimentos, o nível de R$ 5,20 funciona como uma resistência técnica importante. "Se esse patamar for rompido de forma consistente, a tendência é que o dólar busque os R$ 5,30 no curto prazo, a menos que haja uma intervenção mais forte do Banco Central", afirmou.

O impacto da alta não se restringe ao mercado financeiro. A desvalorização do real tende a pressionar a inflação, especialmente nos preços dos combustíveis, alimentos e bens importados. Para o consumidor, o poder de compra diminui. Para as exportações, o câmbio desvalorizado pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos no exterior.

Confira a cotação do dólar hoje:
Compra: R$ 5,19 | Venda: R$ 5,20
Dólar turismo: R$ 5,35

Perspectivas para o Câmbio

Especialistas recomendam cautela. A curva futura de juros e o mercado de câmbio seguem voláteis. O próximo relatório de receitas e despesas do governo e a reunião do Copom são os eventos de maior destaque na agenda doméstica para as próximas semanas.

A política cambial do Banco Central, que realiza leilões de linha para conter a volatilidade, segue como um fator de ancoragem no curto prazo. No entanto, os agentes financeiros aguardam medidas estruturais para garantir a sustentabilidade fiscal e ancorar as expectativas de inflação.