O Brasil atingiu a marca de 68,11 milhões de consumidores inadimplentes em outubro, segundo dados do birô de crédito Serasa Experian. O número representa um aumento de 0,5% em relação ao mês anterior, quando 67,8 milhões de brasileiros estavam com contas em atraso.

O levantamento, que considera dívidas vencidas há mais de 90 dias, aponta que os setores bancário, varejo e utilities concentram a maior parte dos débitos. O valor médio das dívidas é de aproximadamente R$ 1.200, com destaque para cartão de crédito e crédito pessoal.

A região Sudeste lidera o ranking de inadimplência, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, as regiões Norte e Nordeste registraram o maior crescimento percentual no mês, com alta de 1,2% e 0,9%, respectivamente.

O perfil do inadimplente brasileiro é majoritariamente masculino (52%), com idade entre 30 e 40 anos (35%) e renda de até dois salários mínimos (60%). Os dados reforçam a vulnerabilidade financeira de parcela significativa da população.

Especialistas apontam que os juros elevados, a inflação persistente e o desemprego são as principais causas do avanço da inadimplência. A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, encarece o crédito e dificulta a renegociação das dívidas.

O endividamento das famílias brasileiras também atingiu patamares elevados, comprometendo cerca de 30% da renda mensal com parcelas e contas básicas. A combinação de juros altos e inflação corrói o poder de compra e reduz a margem para pagamento de débitos.

A alta da inadimplência impacta diretamente o mercado de crédito. Instituições financeiras restringem a oferta de novos empréstimos e elevam as taxas para compensar o risco. O varejo também sente o efeito, com queda nas vendas e aumento na busca por programas de renegociação.

Programas como o Desenrola Brasil e o Renegocia, promovidos pelo governo federal, têm sido procurados por consumidores que desejam limpar o nome. No entanto, a adesão ainda é limitada, principalmente pela falta de informação e pela burocracia envolvida.

Segundo a Serasa, o número de negativados em outubro representa um recorde da série histórica, superando o pico anterior registrado em março de 2023. O acréscimo foi puxado pelo crédito rotativo do cartão de crédito, que responde por 30% das dívidas em atraso.

Para os próximos meses, as projeções indicam estabilidade ou novo crescimento, caso o cenário econômico não melhore. O mercado espera que a redução gradual da inflação e a eventual queda dos juros possam aliviar a situação no segundo semestre de 2025.

Analistas recomendam que os consumidores busquem renegociar as dívidas diretamente com os credores, priorizando as de maior custo, como cartão de crédito e cheque especial. A educação financeira é apontada como ferramenta essencial para evitar o superendividamento.

A orientação de profissionais de finanças pode ajudar na reorganização do orçamento e na definição de prioridades. Pequenas mudanças nos hábitos de consumo, como evitar parcelamentos longos e controlar os gastos com cartão, fazem diferença no longo prazo.

Em entrevista ao O Tabloide, o economista Lucas Mendes destacou que “o aumento da inadimplência é um reflexo da crise econômica que atinge as camadas mais vulneráveis”. Ele defende políticas públicas que incentivem a renegociação e a inclusão financeira.

O governo anunciou recentemente a ampliação do programa Renegocia, que permite a quitação de débitos com descontos de até 70% para consumidores de baixa renda. A expectativa é que a medida ajude a reduzir o número de negativados nos próximos meses.

Em resumo, a inadimplência no Brasil segue como um desafio econômico e social. O controle financeiro pessoal e o acesso a programas de renegociação são caminhos possíveis para reverter o cenário, mas exigem esforço conjunto de governo, instituições e consumidores.