A produção de motocicletas no Brasil registrou um crescimento expressivo de 37% no primeiro trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Os números foram divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) e reforçam a tendência de recuperação do setor industrial brasileiro.

Segundo a entidade, foram produzidas mais de 350 mil unidades entre janeiro e março, impulsionadas pela retomada da economia, aumento da renda e maior oferta de crédito. A alta foi puxada principalmente pelas motocicletas de baixa cilindrada, utilizadas como meio de transporte urbano e para o trabalho de entrega, segmento que registrou aumento de mais de 40% na produção.

O bom desempenho reflete também a redução do desemprego e o crescimento do setor de serviços, que ampliou a demanda por motos para frete e logística. O movimento de recuperação se intensificou a partir do segundo semestre do ano passado, quando a indústria já sinalizava retomada, e se consolidou nos primeiros meses de 2025.

O desempenho da indústria de motocicletas contrasta com o de outros setores industriais que ainda enfrentam dificuldades. Enquanto a produção de veículos leves cresceu 15% no mesmo período, a de motocicletas registrou alta muito superior, evidenciando a particularidade do mercado de duas rodas, impulsionado pela urbanização e pela necessidade de meios de transporte mais econômicos.

Produção concentrada em Manaus

O Polo Industrial de Manaus (PIM) é responsável por cerca de 90% da produção nacional de motocicletas. Com a nova alta, as linhas de montagem das principais fabricantes, como Honda, Yamaha, BMW e Dafra, operam com capacidade elevada. A expectativa é de que o movimento gere novos postos de trabalho e atraia investimentos em ampliação das fábricas.

A Abraciclo também destacou a diversificação da produção, com o avanço de modelos elétricos e de maior cilindrada. Embora ainda representem uma parcela pequena do total, as motos elétricas vêm ganhando espaço no mercado brasileiro, impulsionadas por incentivos fiscais e pela busca por alternativas sustentáveis.

Além do mercado interno, as exportações de motocicletas também contribuíram para o resultado positivo. Países vizinhos, como Argentina e Colômbia, aumentaram as compras de motos fabricadas no Brasil, favorecidas pelo câmbio competitivo.

Perspectivas para 2025

Para o restante do ano, a entidade projeta crescimento contínuo, com a produção total podendo superar 1,5 milhão de unidades. Os principais desafios incluem a taxa de juros, a inflação e a disponibilidade de componentes eletrônicos, que afetam a indústria mundial. No entanto, a demanda aquecida e o bom momento do agronegócio, que também utiliza motos em suas operações, devem sustentar o ritmo de crescimento.

Os dados da Abraciclo indicam ainda que o Brasil se mantém como um dos maiores mercados de motocicletas do mundo, atrás apenas de Índia, China e Indonésia. O segmento de baixa cilindrada, especialmente as de até 160 cc, deve continuar liderando as vendas, mas há espaço para crescimento nas categorias de média e alta cilindrada, principalmente no turismo e lazer.

Para especialistas ouvidos pela reportagem, o resultado positivo do primeiro trimestre reflete a confiança do consumidor e a recuperação do poder de compra. A tendência é de que o setor mantenha o fôlego ao longo de 2025, desde que não haja choques externos ou mudanças bruscas na política econômica.

Geração de empregos: com o aumento da produção, as montadoras contrataram mais funcionários e estenderam turnos. O número de vagas no setor, segundo o Ministério do Trabalho, cresceu 8% no trimestre, acompanhando a expansão da atividade industrial.

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