Produção industrial fecha 2020 com queda de 4,5%

Por Redação O Tabloide Tempo de leitura: 3 min

A produção industrial brasileira registrou queda de 4,5% no acumulado de 2020, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado negativo reflete os impactos da pandemia de coronavírus sobre o setor produtivo, que enfrentou paralisação de fábricas, redução na demanda e problemas nas cadeias de suprimentos ao longo do ano.

Apesar do recuo no ano, o último trimestre de 2020 mostrou sinais de recuperação. Em dezembro, a produção industrial cresceu 0,7% na comparação com novembro, acumulando o quarto mês consecutivo de alta. Esse movimento foi puxado principalmente pelos setores de veículos automotores, máquinas e equipamentos, e metalurgia.

A queda de 4,5% em 2020 é inferior à registrada durante a crise de 2015 e 2016, quando o setor acumulou perdas de mais de 8% em dois anos. No entanto, o nível da indústria brasileira ainda se encontra 17% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.

Das 27 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE, 19 fecharam o ano com resultados negativos. As maiores influências negativas vieram de veículos automotores (-21,7%), indústrias extrativas (-5,8%) e produtos alimentícios (-2,1%). Do lado positivo, destacaram-se os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+16,7%), impulsionados pelo trabalho remoto, e fármacos (+6,3%).

Por categorias econômicas, bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram queda de 13,5% em 2020, reflexo da retração dos investimentos. Bens de consumo duráveis caíram 10,9%, enquanto bens de consumo semi e não duráveis tiveram recuo de 1,1%. Bens intermediários, que são insumos industrializados, recuaram 3,5%.

Segundo economistas, a retração de 2020 poderia ter sido maior não fossem as medidas emergenciais de crédito e o auxílio emergencial, que sustentaram parcialmente a demanda interna. "A recuperação em V mostra a resiliência do setor, mas a incerteza fiscal e a desvalorização cambial seguram o passo dos investimentos", destacou análise de mercado divulgada no período. O acumulado do quarto trimestre apresentou alta de 3,5% em relação ao trimestre anterior, mas ainda ficou 2,8% abaixo do mesmo período de 2019.

Para 2021, as expectativas do mercado eram de crescimento ao redor de 5% para a produção industrial, impulsionada pela base fraca de comparação e pela retomada gradual da economia. No entanto, desafios como a alta do dólar, o custo das matérias-primas e as incertezas fiscais ainda representavam riscos para o setor.

Os dados do IBGE consolidam 2020 como um ano atípico para a indústria, marcado por uma forte recessão no primeiro semestre e uma recuperação em "V" no segundo semestre. A queda de 4,5% reforça a necessidade de políticas de estímulo à competitividade e à inovação no parque industrial brasileiro.