Queda da Selic barateia pouco crédito e prestações, diz Anefac

A redução da taxa básica de juros, a Selic, anunciada pelo Banco Central nos últimos meses, não se refletiu em queda expressiva no custo do crédito nem no valor das prestações para os consumidores. É o que aponta levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

De acordo com a entidade, embora a Selic tenha caído, os spreads bancários — diferença entre a taxa de captação e a taxa cobrada dos clientes — permanecem elevados, o que limita o repasse da redução aos tomadores de crédito. Além disso, fatores como inadimplência e custos operacionais contribuem para a manutenção de juros altos.

O estudo considera as taxas médias praticadas em diferentes modalidades, como crédito pessoal, cheque especial, cartão de crédito e financiamento de veículos. Em todas elas, a queda observada foi pequena, insuficiente para aliviar significativamente o orçamento das famílias.

Segundo a Anefac, a diferença entre a Selic e as taxas cobradas dos consumidores — o spread bancário — é influenciada por fatores como risco de crédito, custos operacionais e margem de lucro das instituições. Enquanto esses custos estruturais não forem reduzidos, o impacto da Selic sobre o crédito ao consumidor continuará limitado.

Para a Anefac, a expectativa era de que a redução da Selic gerasse um impacto mais forte nas prestações, mas a realidade mostra que o consumidor continua pagando caro pelo crédito. A entidade recomenda que, antes de contratar qualquer operação de crédito, o consumidor pesquise e negocie as melhores condições.

O cenário reforça a importância de se manter um planejamento financeiro e evitar o endividamento excessivo, mesmo em um ambiente de juros básicos em queda.

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