Resgates do Tesouro Direto superam vendas em R$ 447 milhões em janeiro
Os resgates no Tesouro Direto superaram as aplicações em R$ 447 milhões em janeiro, revelam dados divulgados nesta quarta-feira pelo Tesouro Nacional. O saldo negativo indica que os investidores sacaram mais recursos do que depositaram nos títulos públicos federais, interrompendo uma sequência de meses de captação líquida positiva.
De acordo com analistas, o movimento é reflexo do aperto monetário promovido pelo Banco Central. A alta da taxa Selic, atualmente em dois dígitos, torna o crédito mais caro e leva muitos investidores a resgatar aplicações para honrar compromissos financeiros ou migrar para alternativas com maior liquidez imediata.
Os títulos indexados à inflação (NTN-B) foram os que mais registraram saída, com R$ 320 milhões em resgates líquidos negativos. Já os títulos Selic (LFT) tiveram procura mais moderada, com captação próxima da neutralidade, o que sugere uma busca por segurança em meio à volatilidade do mercado.
“O cenário de juros elevados naturalmente desestimula novas aplicações em títulos de longo prazo e incentiva o resgate para realocação em ativos de curto prazo ou para consumo”, explica Rafaela Costa, economista da consultoria Mercado Financeiro. Ela ressalta, no entanto, que o Tesouro Direto segue sendo uma opção interessante para quem busca diversificação e previsibilidade.
Para fevereiro, a expectativa do mercado é de que o fluxo de resgates continue pressionado, especialmente se a Selic permanecer em patamar elevado. O Tesouro Nacional informou que monitora a liquidez do programa e que não há risco de descontinuidade.
Apesar do resultado negativo, especialistas recomendam manter a calma. “Investidores com horizonte de longo prazo não devem tomar decisões precipitadas. Os títulos públicos continuam sendo ativos seguros e com boa relação risco-retorno quando mantidos até o vencimento”, afirma Pedro Almeida, planejador financeiro.
O programa Tesouro Direto encerrou janeiro com 2,1 milhões de investidores ativos e volume total sob custódia de R$ 134 bilhões. Os dados completos do mês estão disponíveis no site do Tesouro Nacional.