Setor de serviços cresce 8,3% em 2022 e atinge recorde
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados consolidados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) para o ano de 2022. O resultado surpreendeu positivamente o mercado: o volume do setor de serviços no país cresceu 8,3% em relação a 2021, alcançando o maior patamar da série histórica, que teve início em 2011. O desempenho foi puxado pela forte recuperação do turismo, pela expansão do setor de tecnologia e pela normalização das cadeias logísticas.
Os segmentos que mais cresceram
Todos os cinco grandes grupos de atividades pesquisados pelo IBGE apresentaram crescimento no ano. Os serviços prestados às famílias, que englobam alojamento, alimentação, atividades culturais e recreativas, registraram a maior alta, de 14,3%. Este segmento foi o mais afetado pelas restrições impostas pela pandemia de Covid-19 e, com a retomada da circulação de pessoas, viveu um ano de forte recuperação.
Em segundo lugar, o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) cresceu 11,4%, impulsionado pela demanda contínua por softwares, serviços de nuvem e infraestrutura digital. O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio avançou 9,2%, beneficiado pelo crescimento do comércio eletrônico e pela melhora na logística de distribuição.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 6,7%, enquanto os serviços de informação e comunicação (exceto TIC) tiveram alta de 5,4%.
Impacto no Produto Interno Bruto (PIB)
O setor de serviços é o maior da economia brasileira, representando cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento de 8,3% em 2022 foi fundamental para o resultado geral do país, que registrou uma expansão do PIB de 2,9% no ano. Sem o vigor do setor de serviços, o desempenho da economia teria sido muito mais modesto.
A receita nominal do setor também atingiu um recorde, impulsionada tanto pelo aumento do volume quanto pela inflação acumulada no período. O faturamento total do setor superou a marca de R$ 1 trilhão pela primeira vez na história, consolidando a importância do segmento para a economia nacional.
Desempenho regional
Todas as 27 unidades da federação brasileira apresentaram crescimento no volume de serviços em 2022. As regiões Sudeste e Nordeste se destacaram. Em São Paulo, o crescimento foi puxado pelo setor financeiro e de tecnologia. No Rio de Janeiro, a atividade de petróleo e gás deu o tom. No Nordeste, estados como Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte tiveram altas expressivas, impulsionados pelo turismo.
Desafios e perspectivas para 2023
Apesar do recorde, o início de 2023 foi marcado por cautela. A taxa Selic, principal instrumento de controle da inflação, estava em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e desestimula o consumo. A inflação acumulada em 12 meses, embora em queda, ainda estava acima da meta, pressionando o orçamento das famílias.
"O setor de serviços mostrou uma resiliência extraordinária em 2022. Para 2023, a expectativa é de um crescimento mais moderado, entre 2% e 3%, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela digitalização dos negócios", avalia um economista consultado pela reportagem.
A pesquisa do IBGE também revelou que o nível de emprego no setor de serviços voltou ao patamar pré-pandemia, com a criação de milhares de vagas formais ao longo de 2022.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre o crescimento do setor
O que é o setor de serviços? É o conjunto de atividades econômicas que não produzem bens materiais, como comércio, transporte, educação, saúde, hotelaria, tecnologia da informação e serviços financeiros. Ele é o maior setor da economia brasileira.
Qual foi o crescimento do setor de serviços em 2022? O setor de serviços cresceu 8,3% em 2022, o maior índice da série histórica do IBGE.
Quais segmentos mais cresceram? Os serviços prestados às famílias (14,3%), tecnologia da informação e comunicação (11,4%) e transportes (9,2%).
Como foi o desempenho regional? Todos os 27 estados brasileiros tiveram crescimento. Nordeste e Sudeste se destacaram, com o turismo impulsionando as altas no litoral.
Qual a previsão para 2023? A expectativa do mercado era de crescimento moderado, entre 2% e 3%, diante do cenário de juros altos e desaceleração global.