Vendas do varejo crescem 3,8% em janeiro, recorde para o mês
O volume de vendas do comércio varejista brasileiro registrou alta de 3,8% em janeiro na comparação com dezembro, alcançando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho superou as expectativas do mercado financeiro e consolida a tendência de recuperação econômica.
O resultado de janeiro representa o maior volume de vendas para o mês desde o início da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), em 2000. O crescimento de 3,8% na margem é o maior registrado para um mês de janeiro, superando o recorde anterior de 2023. O dado indica que o comércio varejista começa 2024 com forte dinamismo, impulsionado por fatores como a redução das taxas de juros, o controle da inflação e a melhora gradual do mercado de trabalho.
Recorde histórico
O recorde de janeiro reflete um conjunto de condições macroeconômicas favoráveis que vêm se acumulando desde o segundo semestre de 2023. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o ano anterior dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que devolveu poder de compra às famílias brasileiras. Além disso, o Banco Central deu início a um ciclo de redução da taxa Selic, que tornou o crédito mais barato e estimulou o consumo de bens de maior valor agregado.
Na avaliação de analistas do mercado financeiro, o varejo brasileiro vem se beneficiando também da melhora das expectativas dos consumidores. A confiança do comércio medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) alcançou em janeiro o maior patamar desde 2021, sinalizando que os empresários do setor estão otimistas com o futuro das vendas.
Setores em destaque
Entre os segmentos pesquisados pelo IBGE, os destaques foram hipermercados e supermercados, que registraram crescimento impulsionado pelo aumento da renda real e pela queda dos preços dos alimentos. O segmento de móveis e eletrodomésticos também apresentou desempenho positivo, beneficiado pela redução das taxas de juros e pelo crédito mais acessível. Artigos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos completam o grupo de setores com alta expressiva no mês.
O setor de vestuário e calçados, tradicionalmente aquecido no início do ano por conta das liquidações sazonais, também contribuiu para o resultado positivo. As vendas de material de construção, por sua vez, mostraram recuperação gradual após período de retração ligado ao aperto monetário dos anos anteriores.
- 3,8% – crescimento em janeiro na comparação com dezembro
- Recorde – melhor resultado da série histórica para o mês
- 5,2% – alta estimada nas vendas frente a janeiro de 2023
- 4,1% – acumulado nos últimos 12 meses
- Queda da Selic – ciclo de redução de juros estimula consumo e crédito
Comparação anual
Na comparação com janeiro de 2023, as vendas do varejo registraram crescimento de cerca de 5,2%, acumulando alta de 4,1% nos últimos 12 meses. O resultado anualizado reflete a melhora gradual do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego em patamares historicamente baixos, e a desaceleração da inflação, que devolveu poder de compra às famílias brasileiras.
O varejo ampliado, que inclui setores como veículos e material de construção, também apresentou desempenho positivo no período, confirmando que a recuperação econômica se espalha por diferentes segmentos do comércio. Especialistas consultados avaliam que o consumidor brasileiro está menos endividado do que no ano anterior, o que abre espaço para novas compras.
Cenário econômico favorável
O desempenho do varejo em janeiro está alinhado com o cenário macroeconômico brasileiro. A inflação medida pelo IPCA encontra-se dentro da meta, o Banco Central deu continuidade à redução da taxa Selic, e o mercado de trabalho apresenta taxas de desemprego em queda. Esses fatores combinados têm estimulado o consumo das famílias, principal motor do varejo.
O governo federal também tem adotado medidas de estímulo ao consumo, como o aumento real do salário mínimo e a ampliação do programa de transferência de renda, que injetaram recursos adicionais na economia. No entanto, o cenário fiscal ainda demanda atenção, com o mercado monitorando de perto as contas públicas e a trajetória da dívida.
Perspectivas para 2024
Para os próximos meses, as expectativas do mercado são positivas, mas cautelosas. A continuidade da queda dos juros, o avanço do crédito e a manutenção do emprego formal são fundamentais para sustentar o ritmo de crescimento. No entanto, riscos fiscais e o cenário internacional ainda demandam atenção.
O mercado financeiro projeta que o PIB brasileiro cresça entre 1,5% e 2,0% em 2024, com o consumo das famílias sendo um dos principais vetores desse crescimento. O varejo, como termômetro da economia real, deve seguir acompanhando essa trajetória de recuperação gradual. "Os dados de janeiro mostram que o consumo das famílias está reagindo à melhora das condições econômicas, mas ainda há desafios pela frente, especialmente no campo fiscal", avaliou um economista consultado pela reportagem.
A expectativa do setor é que o varejo mantenha um ritmo moderado de expansão ao longo do ano, com crescimentos mensais menores do que o registrado em janeiro, mas ainda consistentes com um cenário de recuperação sustentável. O acompanhamento dos próximos meses será fundamental para confirmar se o resultado de janeiro foi um evento pontual ou o início de uma trajetória mais robusta de crescimento.