Especialista em harmonização facial comenta polêmica com aplicação de PMMA
A polêmica em torno do uso do PMMA (polimetilmetacrilato) em procedimentos de harmonização facial voltou a ganhar destaque no Brasil. Em meio a debates sobre segurança e regulamentação, um especialista na área detalhou os riscos e as orientações para pacientes que consideram o procedimento.
O PMMA é uma substância utilizada há décadas na medicina, principalmente como preenchedor dérmico para corrigir volume, rugas profundas e contornos faciais. Diferente de outros preenchedores reabsorvíveis, como o ácido hialurônico, o PMMA é permanente, o que gera debates acalorados entre profissionais de saúde.
De acordo com o especialista ouvido pela nossa reportagem, o grande problema não é o PMMA em si, quando utilizado de forma correta e em pequenas quantidades, mas sim o seu uso indiscriminado por profissionais não habilitados e em grandes volumes. "O PMMA tem indicações específicas. Não é um produto para ser usado em grandes áreas ou para aumentar glúteos, como infelizmente vemos em alguns casos. A aplicação deve ser feita por um médico especialista, em ambiente clínico adequado, e com produto aprovado pela ANVISA", destacou.
A ANVISA mantém uma regulamentação rigorosa sobre o PMMA, classificando-o como produto de grau de risco III. A agência já emitiu alertas sobre os perigos do uso inadequado, que pode levar a complicações graves como reações alérgicas, infecções, formação de granulomas (nódulos inflamatórios), necrose dos tecidos e, em casos extremos, embolia pulmonar ou morte.
O especialista também ressaltou a importância de uma avaliação prévia completa. "O paciente precisa entender que não se trata de um procedimento simples. É essencial que o médico avalie o histórico de saúde, as expectativas e, principalmente, se o paciente tem condições de arcar com o acompanhamento a longo prazo, já que os efeitos são permanentes e quaisquer complicações podem ser difíceis de reverter", explicou.
Outro ponto levantado foi a responsabilidade do médico em informar claramente os riscos. "O consentimento informado é fundamental. O paciente deve saber exatamente o que vai ser aplicado, em qual volume, e quais são as possíveis complicações. Muitos problemas surgem quando há omissão ou quando o procedimento é banalizado", completou o profissional.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) também recomendam cautela máxima com o PMMA, orientando seus associados a evitarem o uso para fins estéticos volumosos, restringindo a aplicação a correções localizadas e em pequenas quantidades.
Para os pacientes que estão considerando a harmonização facial, o recado do especialista é claro: "Pesquise o profissional, verifique seu registro no CRM, pergunte sobre a procedência do produto e desconfie de promessas milagrosas ou preços muito abaixo do mercado. A segurança deve vir em primeiro lugar."
A discussão sobre o PMMA segue acesa, e a tendência é que a regulamentação se torne ainda mais rigorosa para coibir abusos e proteger a saúde da população.